A cada tragédia que abala o Brasil, a sociedade chora, esbraveja e clama por justiça, que se faz tardia na maioria dos casos. Em meio ao drama, na busca aos culpados, sempre se pergunta por que os riscos não foram avaliados, por que ninguém previu o perigo, por que tanto descaso com a vida.

Este ano de 2019 já vem reunindo tristes marcas, a começar pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, da Vale, em Brumadinho (MG). Até esta data, 11/02, 165 corpos foram resgatados e há 155 pessoas desaparecidas, certamente tragadas pela lama tóxica.

No dia 8, um incêndio destruiu o Centro de Treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, matando 10 garotos das categorias de base e deixando outros três feridos. Na mesma semana, as chuvas fizeram sete mortos no Rio e, a exemplo do que ocorreu em 2016, um trecho da ciclovia Tim Maia desabou.

Numa das piores tragédias de 2018, o incêndio do Museu Nacional transformou em cinzas uma parte relevante da história do país.  Não foi por falta de aviso, mas de ações preventivas. Em São Paulo, por exemplo, o Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro da capital, desabou em 2018, após incêndio que deixou quatro mortos. Três anos antes, uma inspeção técnica do Corpo de Bombeiros já apontara o perigo no prédio ocupado de maneira irregular.

Os paulistanos ainda foram impactados em novembro quando um viaduto tombou cerca de dois metros numa de suas principais vias, a Marginal Pinheiros, causando graves transtornos no trânsito. Verificou-se, depois, que mais de 180 pontes e viadutos da capital paulista podem apresentar problemas estruturais e seis deles correm risco iminente de colapso, o que acabou se confirmando em janeiro com o rompimento de uma viga de apoio da ponte que dá acesso à Rodovia Presidente Dutra. 

O caso de Brumadinho remete às duas barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG), que  romperam em 2015 deixando 19 mortos e quase 200 famílias desalojadas. Os danos socioambientais são incalculáveis. Na ocasião, os rejeitos atingiram os afluentes e o próprio Rio Doce, destruíram distritos e deixaram milhares de pessoas da região sem água e sem trabalho. Moradores que perderam suas casas ainda esperam pelo reassentamento.

Quando se trata de tragédia, impossível não lembrar do incêndio da Boate Kiss em Santa Maria (RS), em 2013. A casa só contava com uma saída de emergência disponível e cerca de 240 pessoas morreram asfixiadas por causa da fumaça tóxica. Sempre impactantes, os estragos causados pelo fogo marcaram também a cidade de São Paulo em 1974, no edifício Joelma (191 mortos e 300 feridos) e em 1972, no edifício Andraus (16 mortos).

Estes são apenas alguns dos casos que causaram maior comoção e não podem ser considerados acidentes, mas resultados da falta de responsabilidade. Para quem busca respostas para tanto descaso, respondemos com o trabalho que vem sendo feito pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) desde a sua fundação, em 1940. Graças à atuação de seus Comitês Técnicos, milhares de documentos oferecem as melhores práticas adotadas ao redor do mundo. Cabe à sociedade aplicá-los.  Normas técnicas ajudam a evitar tragédias e salvam vidas.