No Programa ESI, focado em pequenas e médias empresas, a Certificadora aplicará metodologias específicas para avaliar provedores de tecnologia e validar os projetos.

            Energy Savings Insurance (ESI) é o nome do programa criado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para estimular pequenas e médias empresas (PME) a obter eficiência energética. Com uma abordagem inovadora, a iniciativa prevê financiamento para as empresas que investirem no aumento da produtividade ao mesmo tempo em que  reduzirem as emissões de gases de efeito estufa. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) está envolvida no programa desde meados do ano passado e responderá pela certificação de provedores de tecnologia e pela validação de projetos de eficiência nas empresas.

            O programa do BID busca superar os obstáculos ao investimento em eficiência energética (EE) por meio da implementação de instrumentos de mitigação de riscos. Propõe-se a fornecer a cobertura das economias de energia projetadas para medidas de EE especificamente definidas e verificáveis, a partir da assinatura de um contrato padrão entre pequenas e médias empresas (PME) e provedores de serviços de tecnologia. Mecanismos de compartilhamento de risco compensam as empresas no caso de não alcançarem os fluxos financeiros associados à eficiência energética.

            O BID firmou parceria com diversas organizações para replicar e ampliar o gerenciamento de riscos, com o objetivo de conseguir níveis crescentes de investimentos em EE na região da América Latina e do Caribe. A abordagem do Energy Savings Insurance está sendo promovida e ampliada pelo BID com o apoio do governo dinamarquês, por meio da Agência Dinamarquesa de Energia.

            Tecnologias de alta eficiência podem desempenhar um papel relevante na intensidade de uso de energia nas atividades econômicas e evitar a necessidade de novas fontes energéticas. Ao mesmo tempo, podem aumentar a produtividade das empresas e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). A eficiência energética, além disso, é um dos caminhos mais importantes para se alcançar, sem que haja custo econômico líquido, as metas do clima definidas em compromisso global visando à redução das emissões de GEE.

            Com seus mecanismos implantados, o Programa Energy Savings Insurance deverá atender as seguintes expectativas: 1) potenciais investidores do setor privado sentem-se confiantes de que seus projetos de EE gerarão economias de energia suficientes para pagar os empréstimos assumidos e eventualmente obter lucro; e 2) as instituições financeiras locais tornam-se mais conscientes do risco real e dos retornos associados a esses projetos e, portanto, aumentam sua disposição para financiá-los.


Validação de projetos

            Um projeto de eficiência energética deve conter informações necessárias para demonstrar que a incorporação de equipamentos proporciona economia de energia durante a operação e que esta poupança poderá resultar em um fluxo financeiro capaz de pagar o investimento realizado.

            Neste programa do BID, a função da ABNT é atuar de forma a dar garantia ao projeto de eficiência energética e sua instalação, por meio de mecanismos de validação e verificação. Para esse trabalho foi necessário o desenvolvimento de metodologias de avaliação para os provedores de tecnologia e de validação para cada tecnologia específica.

            Inicialmente, as tecnologias trabalhadas no programa ESI são: Cogeração, Preaquecimento solar, Caldeiras, Ar condicionado, Motores, Energia solar fotovoltaica, Fio diamantado e Trocador de calor.

            No Brasil o programa está sendo replicado por meio de três instituições financeiras: Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes); Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE); e Goiás Fomento.

            Diferentes entidades internacionais, doadores bilaterais e publicações especializadas já manifestaram reconhecimento ao programa ESI. Uma das organizações, a Global Innovation Lab for Climate Finance, que reúne investidores privados que oferecem suporte a políticas públicas, endossou a iniciativa como um dos instrumentos mais promissores para mobilizar investimento do setor privado em eficiência energética.

            Por sua vez, o governo da Dinamarca apoiou a implementação do programa no México, fornecendo recursos e assistência à organização Fideicomisos Instituidos en Relación con la Agricultura (FIRA), que se dedica a promover o desenvolvimento dos setores rural, agropecuário, florestal e pesqueiro naquele país por meio de intermediários financeiros e empresas especializadas. Ainda concedeu ao BID os fundos necessários para replicar o programa em outros países, como a Colômbia.

            Já o Fórum de Financiamento de Energia Limpa da Universidade de Yale, dos Estados Unidos, avaliou o ESI como uma ideia vencedora e um meio financeiro de sucesso para a mitigação das mudanças climáticas.